As Crianças Agradecem - Comentário Max FM

Recentemente, o Congresso Nacional aprovou a nova lei da guarda compartilhada de filhos de casais que se separam. Segundo a revista Veja, são 150.000 casais, a cada ano, no Brasil. Portanto, essa notícia sobre a guarda compartilhada é maravilhosa e de enorme importância social, porque a nova regra permitirá que os filhos de casais separados convivam normalmente, tanto com o pai, quanto com a mãe. Por outro lado, a nova regra representa um gigantesco desafio, que é justamente a questão de como praticar a guarda compartilhada quando os pais não param de brigar, mesmo depois de legalmente separados. É sobre isso que falaremos no programa de hoje.

Quando um casal se separa, mas continua a brigar, pode ocorrer um fenômeno chamado de alienação parental, que acontece quando um dos pais condiciona um filho do casal psiquicamente contra o outro membro do casal. Trata-se de fazer verdadeira lavagem cerebral na criança, visando a hostilizá-la contra o outro integrante do ex-casal. 

A criança é doutrinada e condicionada a expressar ódio, desprezo e rejeição ao parceiro que é alvo da fúria do outro parceiro, que normalmente é o membro do casal que se sentiu traído ou enganado e quer se vingar. A criança se torna uma arma na briga do ex-casal. As consequências podem ser dramáticas para a saúde mental da criança porque ela não vive verdadeiramente os sentimentos negativos que lhe são impostos e exigidos, e passa a viver um conflito emocional que poderá ter consequências negativas pelo resto da vida.

A criança abusada psiquicamente por um dos pais contra o outro membro do ex-casal desenvolve baixa autoestima, passa a se odiar porque se sente obrigada a odiar a quem sente que deveria amar. Daí, sofre com a falta de confiança nas pessoas em geral, pode se tornar depressiva, agressiva, destrutiva, alcoólatra ou consumidora de drogas. A criança perde a capacidade de amar e ser amada e é isto que torna a alienação parental verdadeiro crime hediondo.

Vamos à minha observação final de hoje: penso que a nova regra da guarda compartilhada diminuirá bastante a prática da alienação parental, pela simples razão de que a criança, por decisão judicial, conviverá tanto com o pai quanto com a mãe, e, portanto, ficará mais difícil para um dos ex-parceiros praticar esse tipo de abuso contra um filho daquele ex-casal.

A terapia psicanalítica é um valioso instrumento para resgatar a harmonia na convivência entre ex-cônjuges e poderá ser imprescindível para recuperar a autoestima de uma criança que tenha sido vitimada pela alienação parental.