Entrevistas

Psicanálise não é para “doido”

 

Você sabe que algo o incomoda, e muitas vezes incomoda também as pessoas que estão ao seu redor. Um comportamento, um jeito de tratar determinada situação, que pode inclusive te levar ao sofrimento, mas de causa desconhecida. De acordo com nosso entrevistado do mês, o psicanalista Ben Franz, para entender como funciona o processo de Psicanálise, é imprescindível que se leve em consideração tudo o que aconteceu no passado na vida do psicanalisado.

Do preconceito de achar que Psicanálise é “coisa de gente doida” às curiosidades sobre o sucesso que o “coaching psicanalítico” tem feito em grandes empresas para ter executivos mentalmente saudáveis, além de mitos, verdades e curiosidades, o depoimento de Ben Franz, com certeza, vai interessar a você, nosso leitor.

 


Entrevistado por Vanessa Espíndola, da Revista It's Itajubá


“Psicanálise, eu? Por quê?”
Quando uma pessoa se dá conta de que o seu comportamento, qualquer que seja, "não agrada", seja a ela mesma ou a outras pessoas, é chegada a hora de consultar um Psicanalista e considerar a conveniência de fazer terapia psicanalítica.

Psicanálise: Inconsciente X Consciente
Desde a nossa concepção, ainda no ventre materno, "captamos" estímulos e sensações originários do meio ambiente e os "armazenamos" em nossa memória inconsciente. À medida que envelhecemos, podem ocorrer "choques" entre as percepções que temos da realidade consciente em que vivemos e as informações armazenadas em nosso inconsciente. Destes choques, podem resultar distúrbios psíquicos, como, por exemplo, neuroses, medos, compulsões, obsessões, ansiedade, depressão, anomalias sexuais e problemas de relacionamento ou de personalidade.

Psiquiatria, Psicologia e Psicanálise: Qual a diferença?
Muitas pessoas não sabem que existem três conceitos distintos: a Psiquiatria, a Psicologia e a Psicanálise. Pensam que são um mesmo assunto e têm a falsa noção de que "Psicanálise é para doido", o que realmente não é, até porque um verdadeiro “doido” não é curável pela Psicanálise. Pessoas que apresentem patologias psíquicas, das mais simples às incuráveis, são tratadas com medicamentos que só podem ser receitados por um médico, normalmente um médico psiquiatra. Então, as patologias psíquicas não são o campo de trabalho do Psicanalista, mas, sim, do Psiquiatra, o que não quer dizer que uma pessoa que apresente uma patologia curável não possa ser atendida simultaneamente por um Psiquiatra e por um Psicanalista. A diferença da Psicologia em relação à Psicanálise é que a Psicanálise leva em conta a história de
vida do psicanalisado e busca a origem de comportamentos no inconsciente.

“Vida Moderna & Motivos que levam à Psicanálise”
 A vida dita "moderna", em que padrões de materialidade se sobrepõem cada vez mais, e mais rapidamente, a conceitos de espiritualidade na escala de valores sociais, nos impõe constantemente novos padrões de comportamento. Muitas vezes, esses novos padrões se chocam com os nossos valores internos, e passamos, então, a enfrentar "crises de identidade". É nessa hora que devemos procurar ajuda psicanalítica.

“No Divã...”
Vamos explicar por que nas sessões psicanalíticas se usa um divã: Isso acontece para que o psicanalisado fique o mais relaxado possível, livremente expressando seus pensamentos, fantasias, sonhos e ideias, com o Psicanalista sentado fora do seu campo de visão. É para garantir que as emoções expressas pela “linguagem do corpo” do Psicanalista não inibam ou influenciem a verbalização do psicanalisado.

Psicanálise & Autonomia
A maravilha da Psicanálise consiste no fato de que, quando o psicanalisado adquire consciência do porquê de seu comportamento, consegue alterá-lo e assim "curar-se" dos distúrbios comportamentais que o incomodam. Existem pessoas que fazem terapia a vida inteira e outras que se sentem bem após períodos variáveis de “terapia breve”, de alguns meses ou anos.

“Coaching” Psicanalítico
Nessa modalidade de terapia, o cliente é a empresa para a qual o beneficiário da terapia trabalha. Leva-se em conta o ambiente profissional dessa pessoa e a terapia visa, nesse caso, à modificação comportamental do indivíduo para o seu benefício e o da empresa, em termos da qualidade das relações de trabalho com superiores, pares ou subordinados, e a produtividade e eficiência da contribuição dessa pessoa ao objetivo da empresa.