Liga, Desliga

Somos os donos do nosso destino, de nossa felicidade. Quando aprendemos a analisar os nossos pensamentos, transformando-os de predominantemente inconscientes em conscientes, conseguimos planejar o nosso comportamento, mudando-o em conformidade com a nossa força de vontade racional.

Esse viver conscientemente permite que a nossa racionalidade se imponha à nossa emocionalidade e, por consequência disso, que a qualidade de nossa vida melhore, porque deixamos de nos sujeitar passivamente a influências externas, que muitas vezes preferiríamos que não houvesse, e das quais não sabemos nos defender. Passamos a questionar essas influências, a analisá-las, aceitá-las ou rejeitá-las. O critério de ligar ou desligar o “botão de decidir” sobre qual rumo tomar em nossa vida passa, então, para o nosso domínio.

Passamos a ser o autor da peça teatral que, por analogia, é a nossa vida. Definimos o papel que queremos desempenhar e planejamos até nos mínimos detalhes o comportamento que queremos ter na vida.

Em recente conversa com um médico conhecido meu, perguntei-lhe como ele fazia para ligar/desligar o “botão da atividade médica”, para que a negatividade de conviver diariamente com o sofrimento humano e até com o fenômeno da morte inevitável não contaminasse a “normalidade emocional” de seu estado de espírito.

A resposta dele foi: “o meu ‘botão de liga/desliga’ é o meu jaleco. Ao sair do trabalho, tiro-o e deixo-o no carro. Não entro em casa usando-o. É como se eu tivesse duas identidades; a de médico e a de cidadão comum. Quando visto o jaleco, ligo o botão na opção médico. Desligo-o quando tiro o jaleco.”

Precisamos descobrir o nosso “jaleco”, o instrumento que nos permite a imunização contra a negatividade que nos incomoda, ou contra as emoções que nos impedem de viver a vida racionalmente, com qualidade, e em estado de felicidade.