FELICIDADE – ABSTRAÇÃO OU REALIDADE ATINGÍVEL?

"Tudo o que somos é o resultado do que pensamos, é baseado em nossos pensamentos, é feito de nossos pensamentos. Se um homem fala ou age com um mau pensamento, o sofrimento o persegue como a roda da carroça persegue o casco do cavalo que a puxa. Se um homem fala ou age com um pensamento bom a felicidade o persegue como sua sombra que nunca o abandona.”
Dhammapada - Escrito supostamente de autoria do próprio Buda.
 
A felicidade, então, pode ser alcançada? Ela depende de nós, de nossos pensamentos?
A palavra felicidade é uma das mais usadas na comunicação humana. Fazemos votos de “um feliz aniversário”, de “um feliz ano novo”. Desejamos “muitas felicidades” a quem queremos bem, inclusive, e principalmente, a nós mesmos.


Defino a felicidade como o estado emocional de nos “sentirmos bem” em determinado momento de nossa vida. Esse momento pode ser passageiro, de longa duração ou permanente. Ser feliz pressupõe que tenhamos um bom nível de autoestima e satisfeitas nossas necessidades básicas de alimento, vestimenta e moradia. Uma pessoa às voltas com a luta cotidiana pela sobrevivência terá muito mais dificuldades em se sentir feliz do que o cidadão que, tendo satisfeitas essas necessidades básicas, poderá concentrar-se em alcançar o sucesso conforme definido pelos valores culturais da sociedade a que pertencer.


Para sermos felizes, precisamos gostar de nós mesmos, da atividade que exercemos e da maneira como vivemos a vida. Precisamos gostar da qualidade de nossas relações interpessoais, com os nossos familiares, amigos, colegas, conhecidos, e até com os estranhos que cruzam o caminho de nossa vida. Precisamos estar “relaxados”, sem padecer de estresse excessivo, e estarmos em harmonia com o meio ambiente, com a natureza, com o lugar em que vivemos.


Para sermos felizes, precisamos aprender a nos imunizarmos da negatividade a que ficamos expostos pela dinâmica das comunicações na era da globalização, que permite que as desgraças da humanidade se infiltrem em nosso inconsciente e nos condicionem a um comportamento de desesperança.


Uma parcela considerável da humanidade vive “ao Deus dará”. Essas pessoas se comportam como se estivessem “condenadas” a viverem nas condições em que vivem por obra do acaso, do destino, quando não da “vontade divina”. Não aprenderam a analisar os pensamentos que têm, a tirar conclusões da experiência de vida que adquirem a cada dia. Também não aprenderam que a meditação posterior sobre cada dia vivido pode ser transformada em matéria prima para o planejamento de como viverão o dia, a semana ou o mês seguintes – enfim, o resto de suas vidas. Não se aperceberam de que podem ter o controle da qualidade de sua vida e determinar o seu nível de felicidade.


Quando usamos os nossos pensamentos para planejarmos a nossa vida, condicionamo-nos a sermos felizes na medida em que isso é possível, dadas as circunstâncias condicionadoras de cada pessoa.