Saber Mudar é Preciso

Aprendi ao longo dos meus 67 anos de idade que a vida é imprevisível, cheia de surpresas, e que é preciso saber lidar com as mudanças que a vida nos impõe, algumas voluntariamente desejadas e aceitas por nós, outras impostas e alheias à nossa vontade, à nossa intuição, e aos nossos propósitos.

Fui genética, educacional e culturalmente condicionado a ser um indivíduo obediente e passivo na manada humana. Portanto, não tenho o perfil de um revolucionário, reformador, rebelde ou contestador do “status quo”. Passei mais da metade da minha vida nessa condição, certamente enquanto atuei como executivo de empresas, sempre na condição de empregado, por mais qualificado que fosse, e, portanto, subordinado a alguém “superior” a mim, ao menos do ponto de vista da hierarquia. 

A minha “libertação” ocorreu com a mudança profissional, de administrador de empresas a tradutor e psicanalista, processo esse ocorrido nas últimas duas décadas. Aprendi, talvez tardiamente, que a força para mudar está em cada um de nós, em nossa força de vontade e na capacidade de nos auto enxergarmos porquanto seres únicos, de potencial absolutamente ilimitado.

A condição de subserviência social é comum à maioria das pessoas, que passivamente aceita a sua condição social como sendo “obra do destino”, o resultado de “forças externas”, quando não se consolam na “vontade divina” que as condena a viver uma vida de subjugados. Não se dão conta de que a maioria da humanidade vive “ao Deus dará”, alheia à força humana inata que tem.

Essa realidade se reflete no comportamento coletivo das sociedades. As massas humanas são, em maior ou menor grau, manipuladas por seus “governantes”, pelos “donos do poder”, que têm a capacidade de influenciar, quando não de determinar o comportamento das sociedades nacionais e da própria sociedade mundial, como resultado do processo da globalização. Aliás, a desalentadora realidade política e econômica do Brasil da atualidade é um exemplo cabal dessa assertiva, com a nação se dando conta de que foi iludida, enganada, roubada, e que ainda terá de pagar a conta de uma dívida pública praticamente impagável. 

Mas, como podemos mudar o nosso comportamento diante das inevitáveis mudanças na vida? É preciso ter consciência de que elas fazem parte da vida e ter a mente aberta para nos ajustarmos a elas, agindo proativamente para influenciá-las à nossa conveniência. É preciso lidar com as mudanças no contexto de objetivos individuais que precisamos estipular. É preciso racionalizar o nosso medo inato de não conseguir lidar com as mudanças, dando espaço à necessária coragem para enfrentá-las. É preciso aprender a ouvir a nossa voz interna, no diálogo conosco mesmos. É preciso nos auto congratular quando logramos mudar o nosso comportamento consciente resultante das mudanças, porque, afinal, demos mais um passo rumo à felicidade, a meta maior de todos nós na vida. 

Artigo publicado no Boletim da Academia Juvenil de Letras de Itajubá, MG, edição de fevereiro de 2016